quarta-feira, 23 de março de 2011

MULHER, SIMPLESMENTE MULHER?

Em 2006, o então TWL, desenvolve um texto que tem como essência a questão do gênero feminino ao longo da história. Inicialmente um tanto didático, mas com muita vontade de transmitir a platéia, toda emoção vivida por mulheres em períodos históricos diversos.

Momentos em que ela foi idolatrada, subestimada, torturada, queimada, estuprada. Essa narrativa teve como objetivo trazer a reflexão sobre a atual condição em que a mulher se encontra no contemporâneo, seu papel no mercado de trabalho, o espaço de expressão conquistado em países historicamente patriarcais, seu papel de influência sobre a constituição familiar, entre outros.

Mesmo que este tenha sido um trabalho bem simples, no momento de sua apresentação conquistou o respeito e compreensão daqueles que o assistiram. Mas o maior reconhecimento foi a mudança no pensamento do alunado envolvido, que assimilou, ponderou, e percebeu o papel social de conscientização que estavam exercendo.

E como uma curiosa menção, foi exatamente pela conscientização de dois rapazes do elenco, Mario e Bruno, que nasce o nome que perpetua até hoje, TWL-OUSADIA.

Com um novo elenco e amadurecimento, MULHER, SIMPLESMENTE MULHER? volta em 2011, como um resgate à reflexão.



Você gostaria de refletir conosco?

Erika de Cassia

sábado, 5 de março de 2011

Fragmento de Transparência

- A senhora sabe o que é a vida de artista?


Às vezes, é uma grande alegria

Outras vezes, é uma grande desgraça.

Às vezes, é um avião que vem e que passa,

E as vezes é só uma cauda

Que nunca vai chegar a ser, ao menos, uma

asa.

Às vezes, é uma vida que voa para o alto

Ou, então, é, simplesmente, uma coisa demente que se arrasta.

Uma coisa insensata;

Um fragmento do belo,

Um pedaço do colorido,

Um sonho que, se for real, é mais bonito que

um vôo de pássaro.

Mas, tambem pode ser um gato, um sapato,

Um pedaço de cadarço

Mas baixo que o proprio chão.

Mas como podemos saber, minha senhora?

Quem tem o sonho não tem a certeza.

E para se ter certeza é preciso quebrar a

cara.

Ou, então, furar os olhos para impedi-los que

vejam mais longe do que as pernas podem

alcançar.

Entretanto, é bruto e pesado o fardo.

É uma materia densa esta de ser ou não ser.

Às vezes, o artista é tingido de púrpuras

E, ás vezes, é coberto com poeira das estradas,

Ou, ainda pior, com a lama dos insensatos.

O artista é um corpo entre a poeira do palco

E as luzes dos refletores que ele acredita serem

estrelas.

Mesmo com toda fome do mundo,

O artista nunca é um mercador hábil para

traduzir o aplauso da platéia num pedaço

de pão.

Mesmo que seu estômago esteja oco e fundo

O artista sonha que se alimenta do aplauso

do público

E assim vive sua própria vida

Pensando viver outras

Num tablado,

A um metro, ou metro e meio do chão.



Nelson Albissú

(Fragmento de Transparência)

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Estão embasbacados de emoção? Eu também!
Erika de Cassia