terça-feira, 19 de julho de 2011

Gilberto OUSADIA Pereira Paulo

                 Como tudo tem uma história:
    O início deste Núcleo de Teatro acontece após a chegada do professor Gilberto Pereira Paulo ao Washington Luis em 2004, idealizando o projeto e assumindo a função de diretor de palco e produtor.

Professor Gilberto Pereira Paulo

            Em um bate-papo sobre o Núcleo de Teatro TWL-Ousadia acredito ser importante destacar alguns pontos:

- sobre matemática / teatro:

Prof. Gilberto
Apresentação da peça "Morte e vida Severina" - 2005

O amor que eu tenho é pela matemática por viver a muito tempo com ela, pois sou quadradinho, ligados as minhas convicções. A paixão que é fogo, fugaz, incontrolável e intocável, é o teatro. Com o teatro posso me dar o deleite de ter uns devaneios, alucinações, que são permissíveis só na paixão e não no amor. Essa minha paixão não é instantânea, até que é duradoura, eu estou a seis anos fazendo teatro. Eu preciso de uma fuga, não posso ficar preso a matemática, preciso de uma paixão que me tire o fôlego, o pé do chão, que me faça ir ao delírio. O amor é concreto, seguro, ancorado, paixão é leve, quando vê já foi, como uma cena que se viveu, não pensou, sentiu e fez, deu margens ao seu coração. Paixão – o teatro - é leve, não é monótona, não é rotineira.


- o que o teatro representa para ele:

Participação do professor Gilberto na leitura drámatica
"A beleza da música brasileira" - 2008

O teatro transforma uma sociedade, o público se sente modificado, aprende, ensina e compactua, interpreta aquilo que esta vendo para sua vida. Já quem interpreta tem que fazer uma analise mais profunda, esse sim é privilegiado, pois ele tem que entender toda a complexidade do personagem para poder transmitir para ao público as emoções que ele quer passar. Esse sabe o que se passa dentro de cada personagem, quais são as problemáticas sociais que existem dentro de cada personagens, e isso rompe com os preconceitos e faz dele um cidadão mais crítico, com maior discernimento do se passa a sua volta.


- a importância do teatro para sua vida:
O teatro pra mim é magia, tirar o pé do chão. Na verdade como sou de exatas sou muito quadrado, muito exato. E com o teatro consigo ir a lugares dentro de mim, que não conseguiria sendo assim exato. Lugares dentro de mim como uma viagem ao âmago, ao subconsciente que liberta sentimento e prazeres que não estão presente na área de exatas. Eu posso viajar na literatura, no amor, na flor, no perfume, na rispidez, na truculência e principalmente, na maneira como as pessoas são de verdades, com seus sentimentos, sabores, dissabores, sem ficar teorizando, sem procurar fórmulas, regras, procedimentos, regularidades. As pessoas não são regulares, exatas, são pessoas, elas vivem. Por isso eu gosto do teatro, gosto de fugir dessa minha regularidade, desta minha padronização, que tudo tem que estar nos conformes, nas normas, no regimento. As pessoas não são assim, elas bebem, fumam, se prostituem, riem, vão à igreja, elas são flexíveis, elas podem fazer o que bem entender, não precisam ficar presas e amarradas as regras. Por isso gosto de teatro, é uma fuga pra mim, pra libertar esse meu lado mais sensível, mais humano, mais cidadão, mais próximos das pessoas que vivem perto de mim.

- o que é ser professor de matemática dentro do teatro:
Momento de descontração
Quando comecei era muito Chalita, gostava desse negócio de que os projetos podem melhor a qualidade da educação, pois só a sala de aula não dá conta do que é necessário na formação do cidadão. Seria preciso um trabalho extra-classe, interdisciplinar que abrangesse mais e desse conta da matemática, da química, da física, da biologia, da história, acho muito legal esse negócio de misturar tudo, tudo junto e misturado. Mas quando foi na prática, pra fazer teatro de verdade, então decidi por montar um projeto. Eu achava que a matemática envolvida dentro do teatro era a matemática métrica. Hoje percebo que existe outro pensamento matemático por de trás, que são as posições de simetria e não simetria dentro do palco. Uma peça alinhada, com uma regularidade, pode identificar pessoas mais tradicionais, e uma peça desalinhada ou assimétrica pode identificar uma pessoa progressiva (contemporânea). Um professor de matemática dentro do teatro, usando da matemática é muito pouco, é insignificante diante do trabalho de criação, montagem de personagem, figurino, de estruturas mentais de indivíduos que não existem, de poder dar a oportunidade de tirar o pé do chão e montar um personagem. Um personagem não é só uma caricatura, tem um figurino, tem emoção, sentimentos, idéias, dificuldades, defeitos, tudo isso não tem nada de matemática. O bom é explorar, não o Gilberto professor de matemática, explorar o ser humano que é o Gilberto. É isso que faz a diferença para as pessoas, em perceber as ideias legais que rompem e desconstrói idéias, e essa nova idéia é mais liberta, e posso dizer que é originária da posição teatral, a formação do cidadão começa em romper as barreiras.


Essas são as impressões do "Tio Giba"

Erika de Cassia

Um comentário:

  1. Oi Gilberto e Érika, gostei da publicação. Vocês estão de Parabéns pelo trabalho que realizam e por abrir as portas do mundo da arte e do conhecimento, como fonte de novas experiências e vivências para os jovens das escolas públicas. Parabéns e Sucesso!!! Grande Abraço,
    Francine Martins

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